Reforçam o diagnóstico de que o crime organizado tem ganhado poder e influência no Brasil.
Negócios do grupo paulista em fintechs na Faria Lima, o êxodo forçado dos moradores de um vilarejo no Ceará em meio à guerra entre duas facções, o intercâmbio no Rio de faccionados de outras regiões do país nos complexos da Penha e do Alemão, evidenciado pela operação policial mais letal da história do país, são apenas alguns dos casos de grande repercussão que levaram parte dos brasileiros a questionar se o país estaria se encaminhando para virar um "narcoestado".
Postagens nas redes sociais, nas falas de comentaristas e de algumas autoridades.
Sete pesquisadores na área de sociologia e segurança pública. A resposta, como era de se esperar dentro desse tema, não é simples.
Que não é possível falar em narcoestado quando se discute o Brasil porque o termo não descreve os fenômenos que se observam no país.
Linhas gerais, seria de uma nação em que o crime se apropria da estrutura do Estado e faz com que ele passe a funcionar em função da indústria das drogas — o que não é o caso quando se fala do Brasil e de praticamente nenhum outro país, ressaltam as fontes ouvidas pela BBC News Brasil.
Pesquisador americano Benjamin Lessing, que há mais de uma década estuda organizações criminosas na América Latina.
Seria um narcoestado? Se o Estado mesmo estivesse plenamente engajado no tráfico de drogas, não seria um Estado…", argumenta.
Mais se aproximaria da definição, mas apenas se fosse comprovada a acusação que vem sendo feita por figuras como o presidente americano, Donald Trump, do envolvimento de agentes do Estado — no caso, membros das Forças Armadas — no tráfico de drogas, o que não se verifica até o momento.
Casos históricos pontuais, como o do Panamá entre 1983 e 1989, quando o país foi governado por Manuel Noriega, que tinha envolvimento direto com tráfico de drogas.
Revolucionário Institucional (PRI), que "não gerenciava o tráfico de drogas, mas regulava, digamos, os cartéis". "O PRI conseguiu manter uma paz entre os cartéis por um tempo fazendo uma espécie de gerenciamento do mercado", avalia Lessing.
Palavra "narcoestado" é mais um termo que tem circulado na imprensa e no debate público, às vezes com intenções políticas, do que um conceito discutido entre quem pesquisa organizações criminosas.

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