Verde com porta e janela vermelhas talvez seja uma das mais fotografadas por blogueiros e influencers de viagem no litoral do Brasil.
Em um pequeno vilarejo praiano no município de Porto Seguro (BA), no encontro do rio com o mar, onde não entram carros, não há asfalto, o clima é ensolarado e os coqueirais se estendem com a faixa de areia.
Praias mais desejadas (e caras) do Brasil, que até 2007 não tinha nem luz elétrica regular, tem sido ofuscado por uma violência até pouco tempo inimaginável por ali.
Avanço de facções criminosas pelo Brasil para longe dos centros urbanos, com assassinatos, toques de recolher, operações policiais com grande número de mortos e apreensão de dezenas de armas, como fuzis.
Grupo criminoso que cresceu na região nos últimos anos junto ao avanço do turismo e novos faccionados que tentam ocupar a área, segundo moradores e fonte policial ouvidos pela BBC News Brasil.
Aquisitivo muito alto, e aí você vê uma disputa para dominar a terra, o espaço e, sobretudo, para poder vender drogas", comenta o delegado Diego Gordilho, da Polícia Federal em Porto Seguro.
Vila turística é vizinha a uma aldeia indígena, a Xandó, parte da terra indígena Barra Velha, dentro do Parque Nacional do Monte Pascoal, ponto avistado por Pedro Álvares Cabral ao chegar ao Brasil.
Fiscalização e presença policial do Estado, já que a competência é da Polícia Federal ou das forças armadas. E grupos criminosos têm tentado se aproveitar disso, segundo o delegado Gordilho.
Os conflitos entre fazendeiros e indígenas pela posse da terra também são históricos e muitas vezes acabam em tiros e morte.
Rio Grande do Sul foram baleadas ao passar de carro por um local de disputa de terras entre indígenas e fazendeiros em Prado, cidade vizinha a Porto Seguro.
Comunidade de Caraíva também vive a ameaça e presença das facções.
Cercada dessa outra violência, a de fazendeiros contra nativos e o povo pataxó", explica o professor Paulo Dimas Menezes, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Porto Seguro, que pesquisa gentrificação causada pelo turismo na região.

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