Prédio de seis andares atrás do cassino Royal Hill, no Camboja, cada porta se abre para um mundo diferente.
Vietnamita. Em outra, você está em uma delegacia da Polícia Federal brasileira, com bandeiras do Brasil e o emblema da PF na parede. Havia outra sala com uma réplica de uma delegacia da polícia federal australiana. Em um canto dali, há uma camisa de um policial chinês pendurada.
"Dinheiro vindo de todos os lados", dizem os caracteres chineses em uma placa. Há diversas notas falsas de 100 dólares espalhadas pelo chão. Há também um mural com tabelas e orientações em português, entre elas "Qualidade é melhor do que quantidade".
Complexo de golpes localizado em uma cidade chamada O Smach, perto da fronteira com a Tailândia.
Trabalhavam ali, sob um regime severo que controlava rigorosamente suas vidas, fraudando milhares de pessoas ao redor do mundo pela internet e roubando suas economias.
Segundo eles, queriam que o mundo tivesse uma ideia da dimensão da indústria de golpes no Camboja — e, assim, justificar os ataques aéreos contra alvos no Camboja em dezembro passado. Eles diziam precisar de ajuda internacional para encerrar a prática.
Tailandesa de seu território. Mas os tailandeses argumentam que, durante o cessar-fogo, ambos os lados concordaram em manter suas forças militares onde estavam quando o cessar-fogo foi firmado entre os dois países.
Tamanho, mas também o fato de praticamente nada se sabia sobre o local até os tailandeses assumirem o controle.
Lado da rua, havia aparecido em reportagens jornalísticas sobre trabalhadores que fugiram dali denunciando abusos.
Mais famosos do Camboja e é conhecido por suas relações próximas ao clã Hun, liderado pelo ex-primeiro-ministro Hun Sen. Ly Yong Phat já sofreu sanções dos Estados Unidos e de outros países sob acusação de tráfico humano e fraude online.
Bem mais discreto. Ele nunca figurou em listas de sanções internacionais, ainda que ele, assim como Ly Yong Phat, tenha sido agraciado com o prestigioso título de Neak Oknha por Hun Sen. Para obter esse título, Lim Heng fez uma doação obrigatória do equivalente a quase R$ 2 milhões, se tornando parte da elite cambojana com outras poucas centenas de pessoas.
Seu hábito de prestar respeito ao local de cremação do líder do Khmer Vermelho, Pol Pot, que fica próximo a outros de seus cassinos na fronteira com a Tailândia ao norte. O Khmer Vermelho instituiu um regime comunista brutal no país entre 1975 e 1979, e estima-se que 2 milhões de pessoas foram mortas no período.

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